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Planejamento e qualidade ambiental

O planejamento ambiental é um processo organizado de produção e sistematização de dados e informações, construídos a partir de reflexões sobre problemas e potenciais socioambientais de uma região. A sustentabilidade da qualidade ambiental é um foco de convergência das ciências ambientais, que produzem subsídios para o adequado planejamento ambiental.

Em meio à complexidade dos problemas ambientais, os indicadores de qualidade ambiental
proporcionam um robusto instrumento para o planejamento ambiental.

O desenvolvimento sustentável de regiões que apresentam baixos índices de desenvolvimento humano aliado à degradação ambiental representa um grande desafio para as ciências ambientais. Esse é um problema característico do Estado do Maranhão e exige uma visão sistêmica para avaliar o meio ambiente tanto em termos qualitativos, quanto quantitativos.

Dessa forma é necessário unir as dimensões espaciais e temporais nos estudos ambientais e, nesse aspecto, as geotecnologias aliadas às medições de variáveis ambientais em campo proporcionam também a construção e a aplicação de modelos conceituais que auxiliam a compreensão espaçotemporal da evolução do ambiente.

Uma vez avaliado o estado e a evolução temporal dos indicadores ambientais é possível quantificar a pressão que as atividades antrópicas exercem sobre a qualidade ambiental. Parâmetros relacionados à qualidade do ar, água, solo, vegetação, bem como a qualidade de vida humana fornecem subsídios para o planejamento ambiental.

Esta Linha tem como objetivo produzir subsídios científicos para o planejamento ambiental em diferentes ecossistemas, por meio da avaliação e gestão dos indicadores ambientais selecionados de acordo com a natureza de cada problema ambiental, bem como as especificidades de cada ecossistema.

A escolha crítica desse conjunto de indicadores é uma habilidade fundamental para a capacidade de administrar o ambiente e dialoga com a Linha de Saúde e Meio Ambiente, de forma a propor a gestão de indicadores ambientais como subsídio para avaliar as transformações ambientais. Estes indicadores estão relacionados à saúde humana por meio da microbiologia ambiental, do saneamento ambiental, da biologia molecular e da genética ambiental.

Esse conjunto de dados subsidia a avaliação, desenvolvimento e escolha de tecnologias para a solução de problemas ambientais, assim como, indica necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias ambientais adequadas à realidade regional e local. Desta forma, a modelagem computacional fornece subsídios para o tratamento de dados no sentido de simular processos ambientais mediante possíveis variações das condições ambientais.

Saúde e meio ambiente

O equilíbrio ambiental proveniente da retroalimentação de sistemas responsáveis pela interação atmosfera-biosfera tem reflexo direto na saúde humana, que deve ser protegida e priorizada. Significa dizer que componentes como o clima determinam outros componentes, impactando diretamente na saúde humana. Exemplo disso é o aumento ou diminuição da quantidade de vetores de doenças, em função da sazonalidade climática ou mesmo de mudanças na temperatura local. Outro exemplo típico do Estado do Maranhão é o aumento de doenças respiratórias em consequência de queimadas na região oeste do Estado.

Historicamente, estudos apontam que grandes problemas relacionados à saúde humana estão relacionados com as condições ambientais. Áreas interdisciplinares como o saneamento ambiental fornecem instrumentos qualitativos e quantitativos para o gerenciamento de processos vitais para a sociedade, relacionados ao abastecimento e tratamento
de águas, tratamento de efluentes, entre outros.

O Maranhão possui problemas ambientais profundos nessa temática. Segundo o Atlas do Saneamento 2011 do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto 78,4% dos municípios do Estado de São Paulo ofertam sistemas de coleta e tratamento de esgotos à população, no Maranhão esse percentual é apenas 1,4%. Essa mesma fonte registra que apenas 6,5% dos municípios possuem redes de esgoto. Nesse aspecto, o Estado do Maranhão apresenta grande vulnerabilidade
em relação às Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (Drsai).

Por isso, o objetivo desta Linha será avaliar os indicadores ambientais que determinam a qualidade da saúde humana e dessa forma, fornecer subsídios para o dimensionamento, escolha e avaliação de tecnologias que permitam melhorar as condições de qualidade da saúde humana.

Esta Linha dialoga com a linha de Planejamento e qualidade ambiental pela possibilidade da utilização de indicadores de qualidade ambiental na avaliação de problemas de saúde ambiental. A atuação desta linha estará direcionada para as investigações das relações entre os diferentes meios bióticos (atmosfera, água, vegetação e solo) e aspectos químicos, epidemiológicos e toxicológicos relacionados à saúde humana e as suas interações com o meio ambiente.

Além desses aspectos, também serão investigadas as respostas da saúde humana aos fatores físicos do ambiente (luz, ruído, vibração, calor, etc), influência dos ambientes sociais, psicológicos, culturais e organizacionais de sistemas em patologias como, por exemplo, cefaleias em função de aspectos ambientais. Estes últimos especialmente investigados pela ergonomia ambiental.

As relações homem-ambiente não serão apenas investigados passivamente pelos efeitos mútuos, mas, também pela bioprospecção de produtos naturais por meio do conhecimento regional e local das comunidades em relação ao ambiente, ou seja, pelos serviços ecossistêmicos de espécies contidos nos saberes populares.

cnpq